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Doméstica vira artigo de alto luxo em Rio Preto
Doméstica vira artigo de alto luxo em Rio Preto
Doméstica vira artigo de alto luxo em Rio Preto
05/04/2012

Cida com cachorro no colo ensina a Maria Helena Pereira de Souza como limpar

Com 408 mil habitantes, Rio Preto tem hoje, no máximo, 15 mil mensalistas, segundo estimativa do Sindicato dos Empregados Domésticos. O número é cerca de metade do que havia há dez anos. A “casa-grande” imortalizada como símbolo da elite e do poder no Brasil colonial no livro “Casa-grande e senzala”, de Gilberto Freyre, não é mais a mesma. As bás, amas, enfim, a figura da empregada doméstica, que há séculos tem a função de zelar pela família para quem trabalha, é cada vez mais rara e se tornou artigo de luxo.

O desenvolvimento econômico mudou o perfil desse profissional, que tem preferido deixar de ser mensalista e se tornar diarista. “Não temos um levantamento que nos dê base concreta para afirmar, mas o que notamos é uma migração da empregada para a faxineira”, diz Maria Aparecida Abel, diretora do sindicato da categoria.

Livre /Maria Helena Pereira de Souza, 56 anos, faz parte desse novo desenho de sociedade. Trabalhou durante 20 anos como mensalista e há três anos e meio é diarista. Mesmo “pegando no pesado” praticamente todos os dias nas casas que atende, sente-se livre para assumir compromissos que não podia como mensalista. “Quando você trabalha na casa de alguém, tem de estar lá todos os dias com uma folga aos domingos. Como diarista, posso conduzir minha vida, fazer cursos como de cabeleireira e manicure”, diz.

A advogada Cida Paschoalão, de 61 anos, contrata serviços da empresa Mary Help – onde Maria Helena é agenciada – uma vez por semana para a limpeza pesada e ainda conta com os serviços de Roseli Garcia, que vai outros dois dias da semana para manter o apartamento em ordem. Roseli trabalha em três casas como diarista. Em duas está há mais de 20 anos e há seis com Cida. “É mais vantajoso do que ser mensalista”. A tia Lica, como é chamada, tem uma moto nova, deu entrada em um apartamento e paga a faculdade de fisioterapia da filha e a de ciências da computação do filho. “Ela é mais do que uma diarista. Ganhei uma amiga”, diz satisfeita a advogada. “Mas como o apartamento é grande, preciso de outra auxiliar”. Cida conheceu os serviços da Mary Help em dezembro. Lica teve de passar por cirurgia de varizes. “A empresa treina e manda uma funcionária qualificada. É ótimo”, diz.

Queda /Segundo Andrea Nakamura, proprietária da franquia Kangurut Home Rio Preto, aberta em maio de 2010, de lá para cá a procura de pessoas para trabalhar como domésticas caiu em torno de 20% a 30%. “As mulheres preferem atuar em outras áreas como empresas e indústrias. O salário é a maior reclamação que temos das domésticas”, diz.

Domésticas não deixam herdeiras

O trabalho de mensalista está com os dias contados porque as filhas dessas mulheres não querem seguir os passos das mães. Preferem trabalhar como diaristas ou em ramos totalmente distintos. 80 a 90 reais é o preço cobrado pela Mary Help por uma diarista, a empresa tem inclusive seguro caso ocorra de uma diarista quebrar algo de valor na casa do cliente.

Empresa cobra R$ 350 para arrumar doméstica

A Kanguruh Home Rio Preto cobra R$ 350 dos clientes que querem mensalistas. A empresa faz seleção, checagem de referências anteriores e o nada consta criminal, além de dar prazo de 60 dias para que o cliente possa trocar de profissional. Mas não dá treinamento.

Cleonice, um exemplar em extinção, não abre mão de trabalhar como mensalista

Cleonice dos Santos Acácio, de 53 anos, trabalha como doméstica há 20, desde que veio para Rio Preto. Foi ser mensalista por falta de opção, mas hoje tem paixão pelo que faz. Tanto que frequenta cursos de qualificação, como organização residencial, de ambientes e preparação para ser governanta. “Já trabalhei como governanta para uma família de Rio Preto, mas hoje organizo e cuido sozinha de todos os serviços da casa. Estou mais para uma empregada mesmo.” Com carteira assinada, salário de R$ 1 mil e mais R$ 200 que os patrões recolhem para o INSS, Cleonice diz que não trocaria o trabalho de mensalista pelo de diarista. “Consegui formar meus filhos, que hoje são pequenos empresários e tenho minha própria lanchonete, em Rio Preto.” Segundo Paula Levy, consultora de organização e comportamento, a tendência é de que a figura da doméstica desapareça daqui alguns anos. “Teremos as diaristas e as funcionárias especializadas, como no caso de Cleonice, que é mais do que uma doméstica porque tem conhecimento a mais.”

JORNAL BOM DIA – RIO PRETO dia a dia 13/02/2012

NANY FADIL

foto: Milena Aurea/Agência BOM DIA

Tags:   Doméstica vira artigo de alto luxo em Rio Preto
O Rio Preto Decor oferece para São José do Rio Preto e região um leque de empresas e produtos para construção e decoração de casas, condicionador de ar residencial, ar condicionado residencial, adesivos decorativos, adesivos, adesivos para decoração, piscinas, piscinas de vinil, piscinas de fibra e piscinas de alvenaria, torneiras, metais, acabamentos, cadeiras para escritórios, móveis para escritório, móveis escolares, pisos, porcelanatos, antiguidades, móveis antigos, móveis em madeira de demulição, refrigerações, balcão refrigerado, coifas, serralheria, marcenaria, movéis sob medida, tapetes, tapetes persas, tapetes orientais, tapetes indianos, tapetes aubusson, tapetes ziegler, tapete nomadd, persianas, portas de madeira, janela de madeira, tintas, massa corrida, latex acrílico, textura acrílica, toldos, reforma de casas, móveis para escritórios, persianas, tapetes, vidros e muito mais. Tudo em serviços para casas, empresas ou propriedade rural você encontra aqui. Os melhores profissionais como arquitetos, arquitetura e designer, design de interiores, eletricistas, construtoras, chaveiros, decoradores, engenheiros, fotógrafos, pedreiros, piscineiros, pintores, paisagistas, tapeceiros, desinsetizadoras, desintupidoras, conserto de fogão, manutenção em fogão, diaristas, mensalista, domésticas. Faça sua busca e encontre empresas para auxiliar sua construção, reforma ou decoração. Sua casa merece os melhores profissionais do segmento.
Rio Preto DECOR Tudo para sua casa e construção. Aqui você encontra o procura! © 2018. Todos os direitos reservados.
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05/04/2012

Cida com cachorro no colo ensina a Maria Helena Pereira de Souza como limpar

Com 408 mil habitantes, Rio Preto tem hoje, no máximo, 15 mil mensalistas, segundo estimativa do Sindicato dos Empregados Domésticos. O número é cerca de metade do que havia há dez anos. A “casa-grande” imortalizada como símbolo da elite e do poder no Brasil colonial no livro “Casa-grande e senzala”, de Gilberto Freyre, não é mais a mesma. As bás, amas, enfim, a figura da empregada doméstica, que há séculos tem a função de zelar pela família para quem trabalha, é cada vez mais rara e se tornou artigo de luxo.

O desenvolvimento econômico mudou o perfil desse profissional, que tem preferido deixar de ser mensalista e se tornar diarista. “Não temos um levantamento que nos dê base concreta para afirmar, mas o que notamos é uma migração da empregada para a faxineira”, diz Maria Aparecida Abel, diretora do sindicato da categoria.

Livre /Maria Helena Pereira de Souza, 56 anos, faz parte desse novo desenho de sociedade. Trabalhou durante 20 anos como mensalista e há três anos e meio é diarista. Mesmo “pegando no pesado” praticamente todos os dias nas casas que atende, sente-se livre para assumir compromissos que não podia como mensalista. “Quando você trabalha na casa de alguém, tem de estar lá todos os dias com uma folga aos domingos. Como diarista, posso conduzir minha vida, fazer cursos como de cabeleireira e manicure”, diz.

A advogada Cida Paschoalão, de 61 anos, contrata serviços da empresa Mary Help – onde Maria Helena é agenciada – uma vez por semana para a limpeza pesada e ainda conta com os serviços de Roseli Garcia, que vai outros dois dias da semana para manter o apartamento em ordem. Roseli trabalha em três casas como diarista. Em duas está há mais de 20 anos e há seis com Cida. “É mais vantajoso do que ser mensalista”. A tia Lica, como é chamada, tem uma moto nova, deu entrada em um apartamento e paga a faculdade de fisioterapia da filha e a de ciências da computação do filho. “Ela é mais do que uma diarista. Ganhei uma amiga”, diz satisfeita a advogada. “Mas como o apartamento é grande, preciso de outra auxiliar”. Cida conheceu os serviços da Mary Help em dezembro. Lica teve de passar por cirurgia de varizes. “A empresa treina e manda uma funcionária qualificada. É ótimo”, diz.

Queda /Segundo Andrea Nakamura, proprietária da franquia Kangurut Home Rio Preto, aberta em maio de 2010, de lá para cá a procura de pessoas para trabalhar como domésticas caiu em torno de 20% a 30%. “As mulheres preferem atuar em outras áreas como empresas e indústrias. O salário é a maior reclamação que temos das domésticas”, diz.

Domésticas não deixam herdeiras

O trabalho de mensalista está com os dias contados porque as filhas dessas mulheres não querem seguir os passos das mães. Preferem trabalhar como diaristas ou em ramos totalmente distintos. 80 a 90 reais é o preço cobrado pela Mary Help por uma diarista, a empresa tem inclusive seguro caso ocorra de uma diarista quebrar algo de valor na casa do cliente.

Empresa cobra R$ 350 para arrumar doméstica

A Kanguruh Home Rio Preto cobra R$ 350 dos clientes que querem mensalistas. A empresa faz seleção, checagem de referências anteriores e o nada consta criminal, além de dar prazo de 60 dias para que o cliente possa trocar de profissional. Mas não dá treinamento.

Cleonice, um exemplar em extinção, não abre mão de trabalhar como mensalista

Cleonice dos Santos Acácio, de 53 anos, trabalha como doméstica há 20, desde que veio para Rio Preto. Foi ser mensalista por falta de opção, mas hoje tem paixão pelo que faz. Tanto que frequenta cursos de qualificação, como organização residencial, de ambientes e preparação para ser governanta. “Já trabalhei como governanta para uma família de Rio Preto, mas hoje organizo e cuido sozinha de todos os serviços da casa. Estou mais para uma empregada mesmo.” Com carteira assinada, salário de R$ 1 mil e mais R$ 200 que os patrões recolhem para o INSS, Cleonice diz que não trocaria o trabalho de mensalista pelo de diarista. “Consegui formar meus filhos, que hoje são pequenos empresários e tenho minha própria lanchonete, em Rio Preto.” Segundo Paula Levy, consultora de organização e comportamento, a tendência é de que a figura da doméstica desapareça daqui alguns anos. “Teremos as diaristas e as funcionárias especializadas, como no caso de Cleonice, que é mais do que uma doméstica porque tem conhecimento a mais.”

JORNAL BOM DIA – RIO PRETO dia a dia 13/02/2012

NANY FADIL

foto: Milena Aurea/Agência BOM DIA

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Cida com cachorro no colo ensina a Maria Helena Pereira de Souza como limpar

Com 408 mil habitantes, Rio Preto tem hoje, no máximo, 15 mil mensalistas, segundo estimativa do Sindicato dos Empregados Domésticos. O número é cerca de metade do que havia há dez anos. A “casa-grande” imortalizada como símbolo da elite e do poder no Brasil colonial no livro “Casa-grande e senzala”, de Gilberto Freyre, não é mais a mesma. As bás, amas, enfim, a figura da empregada doméstica, que há séculos tem a função de zelar pela família para quem trabalha, é cada vez mais rara e se tornou artigo de luxo.

O desenvolvimento econômico mudou o perfil desse profissional, que tem preferido deixar de ser mensalista e se tornar diarista. “Não temos um levantamento que nos dê base concreta para afirmar, mas o que notamos é uma migração da empregada para a faxineira”, diz Maria Aparecida Abel, diretora do sindicato da categoria.

Livre /Maria Helena Pereira de Souza, 56 anos, faz parte desse novo desenho de sociedade. Trabalhou durante 20 anos como mensalista e há três anos e meio é diarista. Mesmo “pegando no pesado” praticamente todos os dias nas casas que atende, sente-se livre para assumir compromissos que não podia como mensalista. “Quando você trabalha na casa de alguém, tem de estar lá todos os dias com uma folga aos domingos. Como diarista, posso conduzir minha vida, fazer cursos como de cabeleireira e manicure”, diz.

A advogada Cida Paschoalão, de 61 anos, contrata serviços da empresa Mary Help – onde Maria Helena é agenciada – uma vez por semana para a limpeza pesada e ainda conta com os serviços de Roseli Garcia, que vai outros dois dias da semana para manter o apartamento em ordem. Roseli trabalha em três casas como diarista. Em duas está há mais de 20 anos e há seis com Cida. “É mais vantajoso do que ser mensalista”. A tia Lica, como é chamada, tem uma moto nova, deu entrada em um apartamento e paga a faculdade de fisioterapia da filha e a de ciências da computação do filho. “Ela é mais do que uma diarista. Ganhei uma amiga”, diz satisfeita a advogada. “Mas como o apartamento é grande, preciso de outra auxiliar”. Cida conheceu os serviços da Mary Help em dezembro. Lica teve de passar por cirurgia de varizes. “A empresa treina e manda uma funcionária qualificada. É ótimo”, diz.

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Domésticas não deixam herdeiras

O trabalho de mensalista está com os dias contados porque as filhas dessas mulheres não querem seguir os passos das mães. Preferem trabalhar como diaristas ou em ramos totalmente distintos. 80 a 90 reais é o preço cobrado pela Mary Help por uma diarista, a empresa tem inclusive seguro caso ocorra de uma diarista quebrar algo de valor na casa do cliente.

Empresa cobra R$ 350 para arrumar doméstica

A Kanguruh Home Rio Preto cobra R$ 350 dos clientes que querem mensalistas. A empresa faz seleção, checagem de referências anteriores e o nada consta criminal, além de dar prazo de 60 dias para que o cliente possa trocar de profissional. Mas não dá treinamento.

Cleonice, um exemplar em extinção, não abre mão de trabalhar como mensalista

Cleonice dos Santos Acácio, de 53 anos, trabalha como doméstica há 20, desde que veio para Rio Preto. Foi ser mensalista por falta de opção, mas hoje tem paixão pelo que faz. Tanto que frequenta cursos de qualificação, como organização residencial, de ambientes e preparação para ser governanta. “Já trabalhei como governanta para uma família de Rio Preto, mas hoje organizo e cuido sozinha de todos os serviços da casa. Estou mais para uma empregada mesmo.” Com carteira assinada, salário de R$ 1 mil e mais R$ 200 que os patrões recolhem para o INSS, Cleonice diz que não trocaria o trabalho de mensalista pelo de diarista. “Consegui formar meus filhos, que hoje são pequenos empresários e tenho minha própria lanchonete, em Rio Preto.” Segundo Paula Levy, consultora de organização e comportamento, a tendência é de que a figura da doméstica desapareça daqui alguns anos. “Teremos as diaristas e as funcionárias especializadas, como no caso de Cleonice, que é mais do que uma doméstica porque tem conhecimento a mais.”

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